Órgãos de Portugal

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Órgão do Mosterio de Grijó

 

Localidade: Grijó

Localização: Tribuna (Sul)

Construtor: Manuel Lagonsinha

Ano Construção: final sec XVIII/ inic. sec XIX

Último Restauro: 2003 por Pedro Guimarães von Rohden

Estado: Operacional

Fotos

 (clique para obter fotos grandes)

Disposição dos Registos

II - Teclado

(Dó - fá''')

Mão esquerda
Flautado Principal  (8')

Bordão  (8')
Oitava Real  (4')
Tapadilho  (4')
Dozena  (2 2/3')
Decimaquinta  (2')
17a  (1 3/5')
Dezanovena  (1 1/3')
Vintedozena de 3v
Címbala de 3v
Trombeta Real  (8')
Dulçaina *  (8')
Baixãozilho *  (4')
 

Mão direita
Flautado de 12  (8')
Flauta Travessa  (8')
Flauta Doce   (8')
Flauta Napolitana  (8')
Voz Humana   (8')
Oitava Real  (4')
Pífano  (4')
Dozena  (2 2/3)
Corneta de 5v
Quinzena e Dezanovena
Címbala de 3 v
Clarim *  (8')
Dulçaina *  (8')
Oboé *  (8')

I - Teclado (Orgão de Ecos)

(Dó - fá''')

Mão esquerda
Bordão de Ecos  (8')
Tapadilho de Ecos  (4')
Quinzena de Ecos  (2')
 
Mão direita
Flautado de 12  (8')
Corneta de Ecos
Clarim de Ecos

 

* - Palhetas Horizontais

 

Texto  retirado do programa do concerto inaugural em Julho de 2003:

  O órgão de tubos da Igreja do Mosteiro de S. Salvador de Grijó é um instrumento típico ibérico. Pelas características técnicas podemos concluir que possivelmente foi construído no final do séc. XVIII ou início do séc. XIX, tendo sido utilizada a caixa existente assim como algumas peças interiores, O seu autor devera ter sido o organeiro Manuel Sa Couto de Lagonsinha - Santo Tirso que construiu diversos instrumentos no norte do país embora nunca assinando os eus trabalhos.

 No interior de um tubo de madeira encontrámos um papel com o seu nome e as palavras “Convento de Grijó”.

 O órgão encontra-se embutido na parede Sul e em tribuna própria com caixa pintada e ornamentos dourados; na fachada possui os tubos do Flautado de 12 e da Oitava Real, ambos da mão esquerda; ainda na fachada possui também 5 meios registos de palhetas horizontais; tem 2 Manuais com 54 teclas (de Dó a Fá5); possui 33 meio-registos e um total de 1283 tubos dos quais 50 de madeira e 191 de Palheta. Além dos habituais pisantes para os Cheios tem também tambores, passarinhos e bombo.

 Durante os anos de 2002-2003, este instrumento foi recuperado pela Oficina e Escola de Organaria. O restauro da pintura e douramento foi feito pelo Sr. José Rocha.

 Durante estes trabalhos procurou-se recuperar o instrumento para a sua entidade original, tanto na vertente arquitectónica como na vertente tímbrica. O órgão foi desmontado e limpo; os someiros foram metodicamente restaurados, assim como a mecânica das notas e registos. 2 foles foram reconstruídos e colocados na sua possível posição original; ficou também garantido o possível uso do instrumento “dando ao fole”. Os tubos foram cuidadosamente limpos, restaurados e alongados; foram reconstruídos cerca de 100 tubos de metal, quase todos dos Ecos. A pintura original foi restaurada, e o douramento cuidadosamente limpo, refeito aonde faltava, usando as técnicas e materiais originais, e ouro de 23 quilates.

Assim se conseguiu redescobrir a sonoridade original, muito homogénea, forte mas não gritante. O temperamento usado é o mesotónico modificado, próprio para um instrumento desta época que realça a tendência mesotónica mas não proíbe algumas tonalidades. Bem-hajam todos os que se empenharam na recuperação deste instrumento, esperando assim que este órgão sirva a Igreja e a Cultura ainda por muitas gerações e a sua música encha os corações.

 Pedro Guimarães von Rohden

Mestre-organeiro

 

Mais informações sobre este órgão em Baroque Organ Cases of Portugal